A carta de um Tricolor

Foi dose. Nós fomos até lá. Estávamos lá dentro, naquele calor infernal. Ontem o meu filho Daniel começou a descobrir que existem duas coisas nesse mundo. Uma, é o futebol. A outra, é o Fla-Flu. Descobriu que esse adversário odiado é mais do que um simples time de futebol. É um time de futebol seguido por uma horda de loucos fanáticos, que se agrupam e fazem gol. Entram em campo e fazem gol. Fazem o segundo, o do empate e o da virada.

Numa única tacada ele descobriu o medo e o respeito que se deve ter dessa instituição e desse jogo, clássico de apelido garboso, colorido interminável e lotado de almas fanáticas. É coisa para gente grande. É jogo para quem tem o coração tingido dessas cores. De grená, verde, preto, vermelho e do branco que acompanha esse arco-íris. O ar que se respira no estádio é diferente, a atmosfera é diferente. Tudo muda quando você chega na Praça da Bandeira ou cruza a Zona da Leopoldina em direção àquela maçaroca de concreto. Um aglomerado velho e obsoleto, sem conforto ou segurança. Mas que vicia. Nos deixa dependentes dele e de seus mistérios e dogmas. É. O Maracanã tem dogmas. E não são poucos. São sérios o suficiente para fazerem de seus jogos eternos eventos com ares de seita. Com rituais próprios, cânticos específicos, liturgia. E consagração. Lá a gente aprende desde cedo que o jogo só termina quando acaba (it is not over until it is over, dizia o astro do baseball, Yogi Berra). E eu andava meio esquecido disso. Logo na chegada, quando descíamos o Oduvaldo Cozzi a pé, com o calor escorchante se despregando do asfalto, eu senti a atmosfera oblíqua.

Olhei pelo viaduto abaixo, me desviando de cambistas e flanelas, e enxerguei o capitão Belini erguendo a taça. Sempre cercado pelo burburinho da esperança. A meia hora do pontapé inicial, cada um nós se aproxima do portão com esperança saltando pelos poros. O menino de sete anos beijava o seu cordão sagrado, com a camisinha tricolor dependurada num barbante preto sebento. Olhávamos um tumulto nas bilheterias e a Raça Rubro Negra chegando pelo lado da Radial Oeste. Gente por todos cantos. O gesto dos punhos cerrados e cruzados ao alto e o prenúncio de arrastão. Esse é o grande contraste dessa minha vida de pequeno burguês. Pequeno burguês até na escolha do time de coração. Time que provoca engarrafamento no Rebouças, quando enche o Mario Filho, e fila nos restaurantes da Zona Sul depois dos seus jogos.

É só nesse dia de Fla-Flu que eu enxergo o contraste que existe entre as patricinhas sem sutiã da torcida tricolor e a tropa de marginais guerreiros da Raça Rubro Negra e da Torcida Jovem. Um abismo social. Do ambiente de clubinho direto para a vida-como-ela-é. Um pânico de mais de trinta anos. A língua incha dentro da boca e o medo me surrupia a nesga de esperança. A baixa-estima da elite quando se perde em meio ao nada. Ir a esse clássico é estar perdido no meio do nada. Subir a rampa nos Fla-Flus é sempre um constrangimento. Um exercício de mau gosto. Mudar de lado por ser menos numeroso. Por ter sido invadido em priscas eras, quando tomaram nosso lugar à força e nos mandaram para o lado direito das cabines de rádio. Explicar para um menino o porquê de naquele dia – só naquele dia, em mais nenhum outro – ter que virar para a esquerda, no sentido horário, é sempre uma pequena revolta. Ter que ver o jogo sentando naquelas faixas de concreto que abrigam bundas vascaínas é falta de higiene. Um desgosto que me acompanha desde criança, quando fui rampa acima ver o meu primeiro Fla-Flu, em 1977 (1×1).

Ontem, os deuses desse jogo se alojaram naquelas arquibancadas desde cedo. Pintaram e bordaram com as duas nações. Com 19 minutos do segundo tempo eu estava trepado na divisória entre as cadeiras amarelas e as brancas (o módulo central, que mistura as duas torcidas), fazendo o sinal de acabou com os braços, chamando um cara do outro lado de corno e entoando o famoso “ela, ela, ela, silêncio na favela”. Era o terceiro gol do gigante Rodolfo. Doze minutos depois, a favela vinha abaixo com seus gritos de guerra. E eu descia a rampa em ritmo acelerado, com um nó na garganta, cumprimentava o grande Belini e entrava no primeiro táxi que vi pela frente. O menino pedia para ficar. Se lembrava de um jogo com o Santos em que saímos 1 minuto antes e o time cavou um empate fantasma aos 48 do segundo tempo. Eu olhava fixo para a Avenida Maracanã de dentro daquele Santana velho. O taxista insistia em dizer que achava o estádio muito perigoso e que não gostava de futebol. Mas pedia detalhes do jogo e mantinha diálogo com a frustração escancarada do meu pequeno Daniel. Eu nunca tive medo dessa trupe. Nunca mesmo. Mas que é diferente, é. Os outros sempre foram fregueses. Sempre foram engolidos. Mas esses não. Peguei os piores momentos da história desse jogo, quando tínhamos que ir a campo ver Artur Antunes, Leovegildo, Leandro, Tita & Cia. Chegamos a enfrentar isso aí com times absolutamente medíocres, de zezés, galaxes e robertinhos. E eu nunca tive medo.

Mas sempre existiu uma coisa que me deixa perambulando entre o mistério e o pânico. Aliás, não é “coisa” coisa nenhuma. É metafísica. É o Sobrenatural de que tratava Nélson. É perturbante. É aquela massa uniforme pulando do outro lado. 23 minutos, 1×3, e eles não paravam de pular; ninguém saía do seu aperto; ninguém ia embora. Eles nunca vão embora. Eles nunca arredam o pé. Eles não se sentam, não param de gritar. Eles não sossegam. Me perseguem, me sufocam, me habitam os pesadelos e me causam pânico. Quando eu olho para o outro lado é isso que eu sinto. Eles acreditam mais do que os outros. Mais do que eu e todos os outros juntos. E disso, meus caros, eu me borro de medo. Eles jogam com 12. E jogar com 12 deveria ser proibido. Deixar Felipe andando de um lado para o outro, desfilando o seu repertório de categoria e classe, foi uma imprudência. E o jogo foi um jogo para a história. Dentro do táxi, uma frase de uma criança de sete anos ficou estalada no meu tímpano: “papai, eu tenho nojo deles”. Eu também tenho. É só o que posso dizer hoje. Mas se não fossem eles essa mágica não existiria.

Cláudio Lambert (Tricolor)

Flamengo vence o Everton, da Inglaterra, na categoria sub-15

Lion City Cup é considerada a maior competição infantil do mundo

Time sub-15 do Fla começa bem em Cingapura

O Flamengo venceu por 1 a 0 o Everton, da Inglaterra, na Lion City Cup, competição infantil que está sendo realizada em Cingapura. O torneio é considerado o maior do mundo na categoria sub-15. O atacante Leandrinho fez o gol da vitória e ainda foi eleito o melhor jogador da partida, segundo informações do site oficial do clube.

Na segunda-feira, o Flamengo entra em campo novamente, desta vez para enfrentar a seleção sub-16 de Cingapura, às 7h (horário de Brasília).

Flamengo 3×0 Liverpool – Mundial Interclubes 1981

História

Zico com a taça de melhor do Mundo, ao lado de Adílio

Zico com a taça de melhor do Mundo, ao lado de Adílio

A maior partida da história do Flamengo. O jogo da vida de todos os rubro-negros. Este foi o Flamengo x Liverpool, de 13 de dezembro de 1981. Campeão da Taça Libertadores da América, batendo o Cobreloa na final, a equipe brasileira entrava em campo para eliminar o estigma de que não era apenas “time de Maracanã”, visto que seus principais títulos até aquela época foram conquistados no “Maior do Mundo” (lembrando que apenas 20 dias antes o clube havia derrotado o Cobreloa em Montevidéu, conquistando o título continental de 1981).

As épocas douradas dos dois times iniciaram juntas, em 1978, ano que a equipe inglesa venceu a Liga dos Campeões da UEFA, dando início a uma seqüência de conquistas de dois campeonatos ingleses (1979/1980) e o título europeu de 1981. Enquanto isso, o clube brasileiro vencia o tricampeonato carioca (1978/1979/1979 especial), o Campeonato Brasileiro de 1980, o Campeonato Carioca 1981, além do título continental deste mesmo ano.

Zico ao lado de Leandro e Júnior, com a Taça do Mundial

Zico ao lado de Leandro e Júnior, com a Taça do Mundial

O Liverpool era o grande favorito por ser o maior time da época. O time inglês superara Bayern de Munique e Real Madrid nas duas últimas fases – semifinais e final, respectivamente – da Copa dos Campeões da UEFA. Mas, essa fama dos ingleses e seu ar arrogante de superioridade seriam fatais para eles.

Os 62.000 torcedores que compareceram ao Estádio Nacional de Tóquio, dentre eles, muitos rubro-negros, não viram um show dos vermelhos, mas sim, do vermelho e preto, que trajava sua camisa branca na decisão. Viram um show de Zico, inspiradíssimo. Viram um show do futebol brasileiro. Um show que garantiu o título para o Fla ainda no primeiro tempo, com um indiscutível 3×0, para acabar com as dúvidas de quem era o melhor. Não apenas naquela partida, mas o melhor do mundo. E era o Flamengo.

O Jogo

Encarte da partida entre Fla e Liverpool

Encarte da partida entre Fla e Liverpool

Cercados de muita expectativa, os jogadores do maior time da história do Flamengo adentraram o gramado do Estádio Nacional diante de mais de 60 mil pessoas presentes e aos olhos da Nação Rubro-Negra do outro lado do mundo, no Brasil. E qualquer dúvida sobre o talento e sobre a capacidade destes jogadores, foi por água abaixo logo aos 13 minutos de jogo.

Zico lançou Nunes que viu a saída desesperada do goleiro Grobbelaar e, ainda fora da grande área, o encobriu para abrir o placar, e gravar na memória dos rubro-negros uma cena inesquecível. O “Artilheiro das Decisões” saiu para comemorar antes mesmo de a bola entrar, mostrando a certeza e a confiança no futebol do time. “Acidente de percurso”, pensaram os ingleses. Coitados, mal sabiam que o show rubro-negro estava apenas começando.

E o ingleses não poderiam esperar por algo pior. Além do time rubro-negro motivado, Zico estava inspirado. Como (quase) sempre. O Galinho levou à loucura a defesa adversária. Aos 34 minutos, McDermott derrubou Tita na entrada da área e o craque se encarregou da cobrança da falta, mandando a bomba que Grobbelaar apenas rebateu. Na sobra, Lico bateu, o zagueiro Thompson cortou, mas não impediu o gol do oportunista Adílio, que estufou a rede colocando uma vantagem de 2 a 0 no placar.

Nunes toca por cima de Grobelaar para marcar o primeiro...

Nunes toca por cima de Grobelaar para marcar o primeiro…

O Liverpool sentiu o golpe. Até então sempre com ar de superior, o time inglês percebeu que o título mundial escapava de suas mãos. E escapou em definitivo aos 41 minutos. O maior jogador do Flamengo em todos os tempos, Zico, protagonizou lance parecido com o do primeiro gol e que também terminou no fundo das redes. O Galinho lançou novamente o centroavante Nunes, que avançou e bateu na saída do goleiro: 3×0 e fim de papo. Com 45 minutos de antecedência, a taça já tinha destino certo: o Rio de Janeiro.

...e sai para comemorar, antes de a bola entrar

…e sai para comemorar, antes de a bola entrar

O segundo tempo foi arrastado, chato mesmo de se ver. O Liverpool não mostrava forças para reagir, limitou-se a ficar na defesa – talvez temendo sofrer uma goleada ainda mais humilhante. Os craques do Flamengo tocavam a bola de pé em pé sem objetividade, envolvendo os combalidos adversários e esperando o tempo passar. Foram 45 minutos de total domínio rubro-negro sobre os ingleses até o apito final, em que o time da Gávea poderia até ter aumentado o placar, em uma grande troca de passes que envolveu Zico, Lico, Leovegildo Lins da Gama Júnior e Adílio, que finalizou de fora da área, mas o goleiro inglês fez a defesa.

Final de jogo e festa no Brasil, o clube mais popular do país conquistava o mundo. Agora, definitivamente, o Flamengo não poderia ser chamado de “time de Maracanã“. Afinal, provou ser imbatível em todo o canto, até mesmo do outro lado do planeta. E Zico provou não apenas ser o “rei do Maracanã“, como também, o “rei do Mundo” na década de 1980. Eleito, justamente, o melhor jogador da decisão, o Galinho se firmava mais ainda como o maior de todos os tempos na história do rubro-negro.

Foi o dia em que frases como “Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo” e “Quero cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro” fizeram mais sentido para os torcedores do Clube. Uma vitória que fica marcada para sempre na história do Clube.

Vídeo

Vídeo com os gols:

Zico:

Ficha Técnica

Os campeões mundiais entrando em campo

Os campeões mundiais entrando em campo

FLAMENGO 3×0 LIVERPOOL
Mundial Interclubes de 1981

Local: Estádio Nacional, Tóquio (JAP)
Data: 13 de Dezembro de1981
Árbitro: Rúbio Vazques (México)

Gols: Nunes 13′, Adílio 34′ e Nunes 41′ do 1° tempo

FLAMENGO: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Adílio, Andrade e Zico; Tita, Lico e Nunes. Técnico: Paulo César Carpeggiani

LIVERPOOL: Grobbelaar; Neal, R. Kennedy, Lawnson e Thompson; Hansen, Dalglish e Lee; Johnstone, Souness e McDermott (Johnson). Técnico: Paisley.

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Patricia Amorim se reunirá com embaixadas da Nação

Presidente do Flamengo promoverá encontro para alinhar trabalho com representantes rubro-negros
 

A presidente do Flamengo Patricia Amorim se encontrará com os representantes das embaixadas da Nação neste sábado (23.10), na Gávea. O evento, que deve se estender durante todo o dia, representa a política de aproximação da diretoria com os rubro-negros que tanto representam o clube em todo o Brasil.
 
Além disso, os representantes e seus acompanhantes devem atualizar o clube a respeito das informações de suas respectivas embaixadas. Os dados serão utilizados pelo Flamengo em possíveis ações de marketing no futuro e também para se ter uma real noção de quantos flamenguistas cadastrados existem espalhados pelo país.
 
Preocupada em manter um bom relacionamento não só com os associados, que frenquentam diariamente a sede social do Flamengo, na Gávea, a presidente do clube enaltece o encontro, o primeiro da história das embaixadas.
 
“Temos que receber e ouvir esses torcedores que levam nossas cores e nosso escudo Brasil afora. Quando assumi a presidência do clube, disse que meu intuito era fazer um Flamengo melhor. Para isso, procuro sempre ouvir muito a opinião das pessoas, dos apaixonados pelo Flamengo como eu. Sei que esses rubro-negros não estão tão presentes aqui, no clube, mas são muito importantes para nós. Vamos tentar alinhar o nosso trabalho com o deles”, afirmou Patricia Amorim.
 
Confira abaixo todo a programação do evento, que será realizado no auditório Rogério Steinberg, a partir das 8h.
 
Programa “Embaixadas da Nação – 1º encontro/2010″
Data: 23 de outubro de 2010
Local: Auditório Rogério Steinberg, Clube de Regatas do Flamengo

8 às 9h – Welcome Coffe e Credenciamento
9h – Abertura do Encontro (Patricia Amorim, Henrique Brandão, vice-presidente de marketing, e Mauro Chaves, responsável pelo projeto embaixadas)

9h30 – Palestra sobre “Novos Procedimentos de Segurança em Eventos de Futebol”, com representante do Ministério da Justiça/Secretaria Nacional de Segurança Pública

10h – Rodada de perguntas e esclarecimentos

10h30 – Palestra sobre o “Estatuto do Torcedor”, com representante do Deptº Jurídico do CRF

11h – Rodada de perguntas e esclarecimentos
 
13h – Pausa para o almoço

14h30 – Apresentação do projeto Museu Flamengo, da campanha nacional de inventário de acervos históricos do Flamengo, e da Área de Responsabilidade Social, do por Mauro Chaves

15h15 – Rodada de perguntas e esclarecimentos

15h30 – Coffe Break

16h – Formação de Grupos para a construção de novos objetivos e metas das Embaixadas

17h – Finalização dos trabalhos e definição das próximas etapas

Um gol histórico do Flamengo faz 40 anos. Um gol de goleiro

ubirajaragolVer goleiros marcando gols de pênalti ou em cobranças de falta passou a ser algo não tão raro assim no futebol moderno. Rogério Ceni, Chivalert, Bruno, Lauro, Viáfara, Tiago (Vasco) e Márcio (Atlético-GO) são alguns dos camisas 1 que já balançaram as redes. Mas um arqueiro fazer um gol sem ser de bola parada segue sendo algo fora do comum. E um dos primeiros gols de goleiro conhecidos envolvendo um grande clube brasileiro completa 40 anos neste mês.

Em 19 de setembro de 1970, o Flamengo se despedia do Campeonato Carioca contra o Madureira. A partida fechava uma campanha abaixo da esperada do Rubro-Negro no Estadual, em que terminou em quinto lugar. Mas o jogo no estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, ficaria marcada na história do clube. Pelo segundo gol do Fla na vitória por 2 a 0.

O meia Zanata abriu o placar aos 40 minutos de jogo, em cobrança de pênalti. Aos 30 da etapa final, o goleiro Ubirajara Alcântara repôs a bola em jogo com um chutão. A pelota, ajudada pela ‘brisa’ que costuma soprar no campo da Portuguesa carioca (apelidado de “estádio dos ventos uivantes”) chegou na área adversária. Surpreso por ver a bola chegar perto de sua área e diante da aproximação do atacante Nei, o goleiro do Madureira, Paulo Roberto, saiu mal do gol e acabou sendo encoberto.

Ubirajara2A maioria dos poucos torcedores presentes ao estádio (o público foi de apenas 1.075 torcedores) demorou a reagir, diante do lance surpreendente. Mas, em seguida, vibraram com o raro gol que haviam acabado de testemunhar: o primeiro marcado por um arqueiro na história do Flamengo.

Depois, apenas outros dois camisas 1 conseguiram balançar a rede: Zé Carlos, em um pênalti, na goleada de 6 a 2 do Fla sobre o Nacional-AM, em 27 de fevereiro de 92, pela Copa do Brasil; e Bruno, que marcou quatro vezes entre 2008 a 2010, três em cobranças de falta e uma em penalidade máxima.

Mas nenhum deles conseguiu balançar a rede com um chute da própria área, como Ubiraja fez em 1970. Um feito até hoje inigualado na história do Rubro-Negro carioca.

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FLASANTOS A Nação sem Fronteiras

Entervista de Patrícia Amorim a Época

A presidente do Flamengo, em entrevista exclusiva a ÉPOCA, diz que vai processar o goleiro por perdas e danos e pretende demiti-lo por justa causa, seguindo a orientação dada nesta sexta-feira (16) pelo conselho de juristas convocado pelo clube: “Ele não é o modelo que queremos aqui na Gávea”

Quando foi eleita em janeiro a primeira mulher presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, mãe de quatro filhos, de 3 a 13 anos, encarou um time cheio de moral, campeão brasileiro pela primeira vez em 17 anos. No dia seguinte à posse, ela recebeu um telefonema com um alerta: “O Bruno está dizendo que o time não vai entrar no ônibus enquanto não receber o resto do prêmio”. Patrícia diz que dobrou a manga da camisa social, desceu de seu escritório e encontrou Bruno “com aquela cara de mau, meio teatral”. Explicou que ia investigar o que tinha acontecido e mandou todo mundo entrar no ônibus para treinar. Eles obedeceram.

Patrícia achava que seu jeito de professora conseguiria conter a indisciplina no Flamengo: “Eu abomino essa permissividade”. Eram atrasos e faltas de alguns jogadores que, segundo ela, “se julgam inatingíveis”. Ou se julgavam. Com a prisão de seu ex-capitão Bruno, o clube decidiu incluir nos contratos uma cláusula exigindo “conduta ilibada dentro de fora de campo” (leia a cláusula ao fim deste texto), compatível com a imagem que o Flamengo quer passar a seus 33 milhões de torcedores. Se o atleta não se comportar, a nova cláusula prevê “rescisão imediata do contrato, sem qualquer ônus para o Flamengo”.

O conselho de juristas convocado pelo Flamengo para decidir o destino de Bruno acaba de recomendar a Patrícia que demita Bruno por justa causa, por todo o desgaste causado à marca e à imagem do clube. Os juristas que fizeram essa recomendação são: Mário Pucheu, advogado, Theophilo Miguel, juiz federal, os desembargadores Marcus Faver, Siro Darlan e Walter D’Agostino, além dos desembargadores do trabalho Marcelo Antero e José da Fonseca Martins Júnior.

A presidente fala com serenidade e firmeza, mas está cansada. Chega à Gávea sem um pingo de maquiagem, embora assessores tenham dado a ela um kit importado com cosméticos para os momentos de exposição pública em que as olheiras precisam ser disfarçadas. Ela não gosta de se maquiar, tem uma pele bonita e bem cuidada. Para posar, passa displicentemente uma base no rosto, penteia os cabelos compridos e repicados na frente. Seu figurino é sempre masculino, diz, “tudo abotoado até o pescoço”, como acha que deve se vestir uma mulher que comanda tantos marmanjos. “No início, senti que para eles foi meio constrangedor ter uma mulher na presidência. Alguns me chamam de rainha”.

Seu desafio inicial já era enorme: “arrumar a casa”, as finanças e as instalações do Flamengo. O clube estava quebrado, financeiramente e fisicamente. Havia uma dívida de R$ 350 milhões. E as instalações, naquele terreno nobre com uma das vistas mais espetaculares do Rio, a Lagoa Rodrigo de Freitas, estavam abandonadas, enferrujadas, um desrespeito aos sócios do clube, segundo Patrícia: “Tirei daqui de dentro 30 caminhões de entulho, 9 toneladas de lixo, e vou consertando tudo aos poucos”.

Ela jamais pensou que sua missão mais urgente poderia ser outra – moralizar a Gávea, impedir que o clube fosse contaminado por jogadores bandidos. Os maiores ídolos acabaram envolvidos nos últimos meses com traficantes, fuzis, brigas, orgias e, para culminar, um crime macabro: o assassinato de Eliza Samudio, 25 anos, a mãe de Bruninho, de 4 meses, suposto filho do capitão com cara de mau. A pressão foi tanta que Patrícia precisou tomar remédio para dormir. A partir de segunda-feira, vai tirar uma licença para descansar do noticiário policial e deixar o diretor, Zico, cuidando da equipe. Ela falou a EPOCA vestida de vermelho e colocou um colarzinho preto com brilho porque, afinal de contas, é mulher.

ÉPOCA – O advogado do goleiro Bruno pediu habeas corpus para ele. Caso o goleiro seja libertado, caso os depoimentos não sejam suficientes para sua condenação e ele se apresente no clube, o que fará o Flamengo?
Patrícia Amorim – Aqui, o Bruno não joga mais. Não dá. Desgastou demais a marca e a imagem do clube. E sua postura é inaceitável. Sempre teve reações intempestivas, assumiu a posição de capitão como se pudesse mandar em todos, como se fosse o dono da verdade. Havia um descontrole sim. Xingava, chutava até a garrafinha do isotônico. Enquanto o Léo Moura saía do campo chorando e outro jogador saía de cabeça baixa, ele saía chutando muito o portão no vestiário.

ÉPOCA – Como era sua relação com o capitão do time?
Patrícia - Eu dizia ao Bruno que estava errado. Depois ele pedia desculpas, dizia que estava com a cabeça quente. Vinha me contar a história de ter sido abandonado, e ser criado pela avó. O problema é que o Bruno via a liderança sempre como uma postura para se impor berrando. Eu não precisava levantar a voz. Ele chegava na minha sala com uma postura de valente e saía com outra, dócil.

ÉPOCA – Como foi a briga do Bruno com o Petkovic?
Patrícia - Ah, ele achou que o Pet não jogou tudo que podia jogar. Aí acho que era uma disputa normal mesmo, de futebol, e nisso não vejo tanto problema

ÉPOCA – Quais foram as conversas mais difíceis com o goleiro?
Patrícia - Quando ele xingou os torcedores, por exemplo. Começou a dizer que estava ‘insustentável’ a relação com a torcida e que ele ‘só ia treinar se falasse com a presidente’. Eu disse a ele que tinha gente ali na arquibancada ganhando salário mínimo. Muitos no estádio não ganhariam a vida inteira o que ele ganhava num mês. Falei da oportunidade que ele teve na vida, do talento. Achei que tinha adiantado, mas não teve efeito. Dei tanta lição de moral, nem gosto de pensar nisso. Aí, ao defender o Adriano, que tinha brigado com a namorada, ele perguntou ‘qual homem não tinha saído na mão com a mulher’. Eu o chamei aqui imediatamente, mandei ele se retratar e ele pediu desculpas publicamente ao lado da filha.

ÉPOCA – O Flamengo não deveria ter advertido os jogadores antes, quando Adriano apareceu em fotos com fuzis de mentirinha, e Vagner Love chegou escoltado por supostos traficantes armados numa favela? O clube não poderia advertir, punir e ameaçar rescindir o contrato?
Patrícia - Quando a corda já está esticada, fica difícil. Eu sempre fui muito presente desde que fui eleita presidente. Tinha um negócio errado, eu falava direto. Descontava o dia. Mas nunca adiantou. Esse trabalho de contenção deveria ter sido feito ao longo da formação desses jogadores. Essa geração cresceu com bad boys como ídolos, desde o Romário e o Edmundo. Em 1994, por exemplo, o Flamengo tinha outro tipo de bad boy. Era mais malandragem, menos violência. Olha como as coisas pioraram. Antes, eles tinham um monte de mulheres, faziam filhos fora do casamento, mas pelo menos eles assumiam os filhos. Os clubes e a estrutura do futebol não se preocuparam com esses desvios e isso passou a fazer parte do contexto. A coisa tomou outro vulto agora. Esse universo deles inclui agredir mulheres e dar essas festas inacreditáveis, até com jumentos e anões. Em vez de jogadores, passaram a ser celebridades. Quem é a referência do Flamengo hoje?

ÉPOCA – Que medidas concretas foram tomadas depois que ele foi acusado de sequestrar Eliza no Rio e estar envolvido em seu crime em Minas Gerais?
Patrícia - A primeira coisa que fizemos foi afastar imediatamente, antes mesmo que fosse detido. Mas não podíamos proibi-lo de treinar longe dos outros, antes de ser indiciado. Depois, suspendemos o pagamento porque ele não está prestando o serviço para o qual foi contratado. Bruno ganha um salário de R$ 150 mil por mês, e se juntar luvas, patrocínio, e bônus pelas vitórias, acredito que sua remuneração mensal no ano passado tenha ficado em R$ 250 mil. Ficamos pensando como faríamos a rescisão do contrato com ele: justa causa ou não? Discutimos duas noites seguidas. Não se chegou à unanimidade.

ÉPOCA – Com todas essas acusações pesadas contra o Bruno, e o clube há duas semanas em manchetes policiais, isso já não seria suficiente para demitir o goleiro?
Patrícia - Há jogadores que não têm contrato de imagem, só de trabalho, como é o caso do Bruno, cujo contrato é regido pela CLT. Para rescindir o contrato dele sem justa causa, o Flamengo teria de pagar 6 milhões de euros. Aí eu não podia ser irresponsável, agir só com paixão, e dizer “manda embora”, sob risco de prejudicar o clube. Exatamente por eu não ter competência na área criminal, reuni um conselho de notáveis para discutir e chegar a uma conclusão. E eles acabam de me recomendar a rescisão do contrato do Bruno por justa causa. Se exigirmos dele também compensação por perdas e danos, o valor que pediremos será igual ao da rescisão.

ÉPOCA – Seu desejo pessoal seria desligar totalmente o goleiro o mais rápido possível?Seu desejo pessoal seria desligar totalmente o goleiro o mais rápido possível?
Patrícia - Com certeza. Tudo isso foi um baque enorme. Eu gostaria sim que ele fosse demitido por todo o desconforto e desgaste que causou ao Flamengo e aos torcedores, desde que não haja nenhum tipo de dolo para o clube.

ÉPOCA – Como tem reagido a torcida?
Patrícia - Tem de tudo. Desde o torcedor que se diz humilhado, com o coração sangrando, até os que mantêm o carinho pelo goleiro porque se recusam a acreditar na culpa dele, especialmente as crianças. Ídolo é ídolo. Ele vendia mais camisas do que o Rogério Ceni. No Maracanã, depois do jogo com o Botafogo no Maracanã, uma família de flamenguistas chegou a mim perto do vestiário e a filha, de 9 anos, me fez o seguinte pedido: ‘Se você for visitar o Bruno, diz que eu amo ele?’ Eu fiquei desconcertada, nem sabia o que dizer.

ÉPOCA – Não seria preciso mexer no time para passar uma mensagem e disciplinar os jogadores?
Patrícia - Eu herdei uma situação em que alguns jogadores gozavam de regalias, ou privilégios. Não gostava disso, mas, com o título brasileiro este ano, eu não tinha como mexer em nada, nem na base do time nem na comissão técnica. Era como mexer num vespeiro. Existia um sentimento geral que me incomodava muito, do tipo: ‘Ah, na hora do jogo esses aí decidem’. Como se isso bastasse. Era um time vencedor. E a torcida quer a mão na taça. Grita no estádio o nome do jogador. Picha os muros quando o time joga mal. As renovações foram muito mais complicadas e desgastantes depois do título. Jogadores e treinadores achavam que podiam tudo. Eu tinha coragem mas enfrentava um time fechado, com muito corporativismo. O bom foi que esses privilégios começaram a incomodar o próprio grupo e também aos formadores de opinião. Comecei a tratar tudo com transparência, sem esconder os problemas. E chamei o Zico porque não há melhor pessoa para estabelecer esses parâmetros de comportamento. E nós não vamos mais ficar reféns de atleta nenhum. Porque já enfrentamos o pior. Nada pode ser pior do que o que aconteceu no caso Bruno.

ÉPOCA – Quais são os maiores desafios do Flamengo?
Patrícia - Grupos dominantes fragmentaram o clube. Eu não sou de feudo nenhum, não pertenço a grupo nenhum, eu pertenço ao Flamengo. Isso me deixa muito à vontade para receber todos os empresários e ouvi-los. E também para criticar comportamentos que me dão pavor, como o de cartolas que adoram sair em fotos abraçados com jogadores. Precisamos sim de investimento, precisamos pagar aos poucos as dívidas. Nos primeiros meses, só conversei sobre dinheiro aqui e não sobre futebol. A sorte é que meu marido é economista e eu me cerquei de pessoas que entendem de finanças.

ÉPOCA – Houve conversas suas com os jogadores depois que Bruno foi preso?
Patrícia - Falei com alguns em particular, o Leo Moura, o Pet, o Lomba, que substituindo o Bruno, o Willians, que era companheiro de quarto do goleiro. Mas também reuni o grupo e perguntei a eles: ‘Quem garante que isso não vai acontecer de novo?’ Todo mundo ficou mudo.

ÉPOCA – E as categorias de base? Existe um plano para formar jogadores com outro tipo de caráter e valores?
Patrícia - Aí, sim, precisamos de um investimento grande. Vamos construir escolas aqui dentro. Este é o foco. O clube precisa assumir sua função de formador, não só de atletas. Esses meninos têm que sair do Flamengo como grandes homens, em primeiro lugar. Se puderem também ser grandes jogadores, ótimo. O clube precisa retomar sua relação direta com os jogadores, sua ascendência, em vez de ficar nas mãos de empresários e de assessores de imprensa dos jogadores, como se tivesse lidando com um bando de celebridades. O que eu defendo é a volta da responsabilidade, tanto dos jogadores quanto dos dirigentes.

ÉPOCA – Em algum momento desse drama, sendo mãe de quatro filhos, dois deles gêmeos, houve algum arrependimento por ter se candidatado à presidente do Flamengo?
Patrícia - Olha, noutro dia uma senhora chegou para mim e disse: ‘Ai, eu não queria estar no seu lugar, deve ser terrível’. E eu respondi que estou no lugar que eu quero estar. O Flamengo é muito mais do que o Bruno, é a tradição, a história, tem uma enorme força de mercado e público. O Flamengo é um tesouro. Não só no futebol. É o Flamengo do Cesar Cielo, do Diego Hipólito. Perdemos agora algumas batalhas mas no fim tenho certeza de que existe um arco-íris esperando por nós. E como tudo que o Zico fala tem uma força enorme, tenho convicção de que vamos unir o Flamengo e sair dessa. Zico é o Flamengo que deu certo.

A nova cláusula nos contratos dos jogadores do Flamengo

“O atleta X (nome do atleta), se obriga expressamente em honrar a imagem e o bom nome do CRF e de seus patrocinadores, mantendo conduta ilibada dentro e fora de campo, observando as regras de boa conduta e imagem pública que lhe são pertinentes, sob pena de rescisão imediata do contrato, sem qualquer ônus para o CRF.

§1º – A inobservância do disposto nesta cláusula acarretará sanções legais ao atleta e quem mais tiver dado causa à violação, respondendo administrativa, civil e criminalmente, inclusive por danos morais, materiais e à imagem, sem prejuízo de outras medidas judiciais cabíveis.”

Reunião 08/07/2010

Nessa Quinta Feira 08/07/2010 as 19:30
Local:Restaurante Caravela R:Padre Anchieta esquina com a praça da biquinha – São Vicente SP
Reunião para tratar da Locação da nossa sede própria
Esperamos a presença de todos
Para mais informações Tony ID: 85*35973, Maurício 8822 5208

Entrevista com o Rei Zico “O Maior de Todos os Tempos”

Zico: “É hora de dar o sangue”

Em entrevista exclusiva, diretor executivo de futebol pede que grupo demonstre seu valor

Zico conversou com o psicólogo Paulo RibeiroZico conversou com o psicólogo Paulo Ribeiro

Itu (SP) – Exatamente duas semanas após assumir oficialmente o cargo de diretor executivo de futebol do Flamengo, na reapresentação do elenco na Gávea, Zico conversou com a equipe do site oficial do clube, nesta terça-feira (29.06), e revelou suas primeiras impressões sobre o novo cargo. O Galinho falou sobre o trabalho que terá pela frente e também aproveitou para avisar que o momento é de total dedicação em busca de um segundo semestre vitorioso.

Ídolo vestindo a camisa rubro-negra nos campos, Zico espera obter glórias também fora dele. E, para isso, conta com o empenho do grupo na sequência do Campeonato Brasileiro deste ano. Animado com o início de trabalho, ele reafirmou a necessidade de melhorias estruturais, elogiou os jovens do grupo e demonstrou confiança em um futuro positivo para o clube.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Site Oficial do Flamengo: Você vem acompanhando bastante os treinos do Flamengo. Qual é a importância de estar sempre ao lado do time?
Zico: É importante estar sempre conversando com os jogadores e ter este contato constante. Até porque, no momento de fazer alguma avaliação, é importante poder ter esta base para analisar todos os fatores, sejam eles positivos ou negativos. Acho até que este é o meu dever como diretor de futebol: estar presente sempre que possível.

Site: Qual você acha que é o ponto mais importante destes dias em Itu?
Zico:
O trabalho está começando a dar resultado agora, que é quando o Rogério terá mais tempo para colocar o time em campo, treinar a parte tática e técnica e ter uma ideia do que fazer na sequência do Brasileiro. Antes estavam sendo feitas avaliações, trabalhos físicos. Agora chegou a hora de colocar em prática o pensamento de jogo.

Site: Qual a avaliação que você pode fazer do elenco até agora?
Zico:
Acredito que o grupo está um pouco inchado, o que é ruim, porque acaba criando uma certa insatisfação em quem não está treinando. Também não dá para lapidar quem tem que ser um pouco mais lapidado. Mas não quero me precipitar. Estamos observando tudo com muita calma. Temos um elenco de qualidade, com muitos valores e acredito que seja preciso reforçar alguns setores, dar equilíbrio, porque temos muitos jogadores em algumas posições e poucos em outras. Mas acredito que estamos no caminho certo.

Site: O grupo tem muitos jogadores jovens. Isso é um ponto positivo?
Zico:
A tendência é essa: ter muitos jogadores das categorias de base promovidos. É importante que as revelações ganhem oportunidades. Aconteceu isso comigo. O Rogério já conhece o trabalho deles e foi isso que o Joubert fez comigo, me puxou da base, porque já tinha trabalhado comigo no juvenil. Não só comigo, como com toda aquela geração. E é preciso lembrar que teve-se paciência. Demorou um pouco até o time engrenar, mas quando engrenou também…

Site: Como você vê a pressão em cima destes meninos?
Zico:
É importante que estes garotos, se tiverem chances, as aproveitem bem. Até conversei isso com eles. Está se falando muito em reforços, em contratações, mas quem está aqui tem condições de estar no Flamengo e é a hora de provar isso. Mais do que nunca. É o momento de dar o sangue. Tem essa intertemporada, provavelmente os primeiros jogos do Brasileiro sem reforços, então, o momento é de dedicação total para agarrar estas oportunidades.

Site: O que você pode falar do Renato, do Corrêa e do Val Baiano, reforços que acertaram com o Flamengo recentemente?
Zico:
São três jogadores que podem nos ajudar muito. O Renato é um jogador com a cara do Flamengo, que se identificou rapidamente com o clube, com a torcida e tem tudo para se dar bem novamente. O Correa também é um atleta experiente, de qualidade ofensiva e que pode fazer uma função que precisamos, jogando um pouco mais à frente. O Val Baiano, por sua vez, é um artilheiro. Ninguém faz 18 gols à toa.

Site: O time está próximo do ideal para o futuro?
Zico:
Acredito que nosso meio de campo está bem reforçado com a chegada do Correa e do Renato. Agora é esperar as apresentações deles, colocá-los em forma e esperar para ver como eles vão se sair.

Site: O que pode ser falado sobre as renovações de contrato, especialmente do David, que tem o vínculo terminando já amanhã (30.06)?
Zico:
Estas questões estão caminhando. A do David, acredito que esteja bem encaminhada. As pessoas responsáveis por isso entraram em contato comigo e me disseram que estão caminhando para um acordo. Também estamos lutando para manter o Vagner Love, que é um jogador muito importante.

Site: Hoje (29.06), sua gestão completa exatamente duas semanas, desde que o time se apresentou. Já está acostumado à nova função?
Zico:
Estou tranqüilo em relação à pressão e ao cargo. Já estou acostumado com o Flamengo e sei que precisaremos de bons resultados. Fiquei muito feliz com a receptividade do time não só em relação a mim como também com a nova comissão técnica. O trabalho está apenas começando, mas estou animado.

Site: O que ainda precisa melhorar?
Zico:
Estamos treinando alguns dias na Gávea e outros no Ninho do Urubu e isso acaba sendo ruim. É preciso saber que temos a estrutura ao nosso dispor. Na medida do possível, vamos tentar dar ao grupo e à comissão uma estrutura para que tudo seja feito no Centro de Treinamentos. A estrutura é a prioridade, sem dúvida nenhuma.

Fonte:www.flamengo.com.br
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